Por Paulo Mussoi Olá, visitante do site da Textual:
Tive a honra de ser convidado para inaugurar o blog do novo site da Textual. Desconfio que o convite foi motivado pelo fato de ser eu o pobre infeliz que responde pela coordenação dos mais de 90 blogs jornalísticos veiculados atualmente pelo Globo Online, o site de notícias do Jornal O Globo.
Parece muito? E se eu disser que esse número deve dobrar no ano que vem? Quintuplicar até 2010? Céus! Mas que praga, esse negócio de blog, hein? Para onde a gente olha, tem gente fazendo blog. É blog de notícias, blog de esportes, blog de economia, blog de fofoca, blog de assuntos bizarros... Muitos deles chancelados por alguns dos mais respeitados jornais do país.
Mas por que isso, de repente? O que será que o blog – uma ferramenta pessoal e um tanto quanto limitada de publicação online – tem de tão sedutor que conquistou corações e mentes jornalísticas no Brasil e no mundo? Por que um serviço que nasceu para ser meramente um diário de pessoas comuns virou uma das principais ferramentas de comunicação de alguns dos mais renomados jornalistas do país, como Ricardo Noblat, Josias de Souza, Juca Kfouri e Paulo Henrique Amorim, só para citar os de maior audiência?
A resposta, na minha opinião, é complexa. Mas acho que ela passa, justamente, pela simplicidade do blog. Não apenas como ferramenta, mas como conceito de comunicação.
O bom do blog é que ele pode ser feito por qualquer um, visitado por qualquer um, alterado por qualquer um. E como “qualquer um”, entenda-se tanto o vencedor do Prêmio Esso quanto o seu vizinho do andar de baixo.
O conceito de blog – e a Web 2.0 como um todo, com suas funcionalidades de interatividade e participação – tira o jornalista do pedestal e o aproxima do homem comum, daquele ser insuportável que ora chamamos de leitor, ora de telespectador, ora de ouvinte, ora de internauta. E, como a comunicação digital é sempre uma via de várias mãos, igualmente aproxima o homem comum, o telespectador, o ouvinte, o internauta, dessa até então inatingível vestal chamada “jornalista”.
“Se eu, um Zé-Ninguém, tenho um blog de notícias, sou tão blogueiro quanto o Josias de Souza!”, há de pensar o Zé-Ninguém. Nós, jornalistas, temos imensa dificuldade de aceitar isso. Até sabemos que, tecnicamente, isso nem é mesmo verdade. Mas se essa é a sensação que os blogs passam para os seus Zé-Ninguéns, essa sensação já é, por si só, muito poderosa.
Não é à toa que o blog jornalístico de maior audiência do Brasil, hoje, não é de nenhum jornalista formal – mas de um rapaz espirituoso que resolveu usar a internet para, justamente, esculhambar com o jornalismo tradicional. E se você não sabe de quem eu estou falando, tenho certeza de que já ouviu falar de um certo Kibeloco...
Pois é, caro visitante do site da Textual... Os blogs são uma face pequena porém bem visível de uma série de fenômenos, todos eles vinculados à evolução digital das comunicações, que estão revolucionando o modo pelo qual os seres humanos se relacionam com as notícias. Um dia ainda chegará em que não haverá mais emissores formais, nem uma “massa” definida para quem se dirigir uma mensagem. Haverá apenas uma inteligência coletiva formada por indivíduos online – todos simultaneamente emissores, receptores e tratadores de informações – prontos para “veicular”, em escala planetária e questão de segundos, qualquer notícia que esse próprio coletivo julgar relevante, sem necessidade de reuniões de pauta nem aquários.
E os blogs serão, então, apenas uma das muitas ferramentas que esse novo mundo terá à sua disposição para trabalhar. E pobre do jornalista que, até lá, ainda não tiver entendido isso... |