Por Melissa Ribeiro
O papo é sempre o mesmo quando encontro um amigo repórter dos meus tempos de jornal: “o futuro é a internet”, diz ele, enfático e, de fato, certo em sua colocação. Ele, jornalista do velho impresso, busca se atualizar e convencer os gigantes do aquário de que o povo quer, na realidade, conteúdo pelo cabo da internet. A web e a web 2.0 (das mídias sociais) estão realmente mostrando a que vieram. Estão entrando nas empresas e agências de comunicação, ganhando importância dentro de estratégias macro das corporações e até nomeando novos cargos, como o de supervisor de mídias sociais e gerente de comunidades, só para citar alguns exemplos.
Apesar da tendência, o bom e velho papel se mantem fortalecido perante o leitor brasileiro. Não digo por tradição ou credo de jornalista, não. Afirmo baseada em resultados de pesquisa do IVC (Instituto Verificador de Circulação) publicada ontem na Folha de São Paulo. A circulação de jornais pode ter caído desde a chegada em massa da internet, mas o brasileiro continua recebendo informações através dos jornais impressos.
Abaixo matéria da Folha de São Paulo:
Circulação de jornais aumenta 5% no país em 2008
A circulação média diária de jornais no Brasil no ano passado cresceu 5% na comparação com 2007, de 4,14 milhões de exemplares para 4,35 milhões de exemplares, segundo o IVC (Instituto Verificador de Circulação), empresa que audita a circulação de jornais no país. O crescimento nas vendas de jornais em 2007 e 2006 havia sido de 11,8% e 6,5%, respectivamente. Apesar de a expansão em 2008 ser menor que a dos últimos dois anos, o crescimento do mercado de jornais no Brasil tem sido maior do que a média mundial -a circulação média diária no mundo subiu 2,57% em 2007, segundo a Associação Mundial de Jornais.
Entre os principais jornais do país, a Folha registrou maior crescimento na comparação com todos os seus concorrentes diretos.
A circulação média diária da Folha cresceu 2,87% no ano passado sobre 2007. A circulação de "O Estado de S. Paulo" subiu 1,82%, e a de "O Globo", 0,38%, de acordo com o IVC.
Na categoria de jornais populares, o mineiro "Super Notícia", que custa R$ 0,25, obteve expansão de 27,02% em relação a 2007. O jornal "Agora São Paulo", do Grupo Folha, registrou crescimento de 0,17% no período e continua, em sua categoria, líder em circulação média diária (83.400 exemplares no ano passado) em relação aos principais concorrentes paulistas. O "Diário de S. Paulo" registrou queda de 3,41% na circulação em 2008, que recuou para 70.009 exemplares.
Murilo Bussab, diretor de Circulação da Folha, diz que o crescimento do mercado de jornais "está claramente influenciado pelos jornais populares e pelos regionais". "E isso parece refletir o desenvolvimento econômico do país em 2008", completa.
Segundo ele, na categoria dos jornais populares, a circulação média diária no ano passado subiu 11,8% em relação a 2007 e, na categoria dos regionais, 10,4%. "O crescimento do "Super Notícia" foi "anormal" comparado com todos os outros jornais, pois teve um modelo de preço extremamente baixo e promoções agressivas para abrir o mercado de Belo Horizonte."
A Folha, segundo o IVC, é a primeira colocada do ranking de jornais do país, com 7,17% de participação de mercado e circulação média diária de 311.287 exemplares no ano passado. Em segundo lugar vem o "Super Notícia", com 6,98% de participação e venda média diária de 303.087 exemplares. Em seguida estão o jornal "Extra", do Rio, com 6,62% de participação; "O Globo", com 6,48%, e "O Estado de S. Paulo", com 5,67%, aponta o IVC.
Ricardo Costa, diretor-geral do IVC, diz que a venda de jornais está diretamente ligada ao poder aquisitivo da população e que o Brasil tem potencial para expandir esse mercado.
O consumo diário de jornais no país a cada mil habitantes é de 53 exemplares, segundo a Associação Mundial de Jornais. No México, esse número é de 148 exemplares. Nos Estados Unidos, de 241, e, no Reino Unido, de 335 exemplares. "Esses dados mostram que existe grande espaço para aumentar as vendas de jornais no Brasil. E vejo que os jornais têm feito um grande trabalho para melhorar cada vez mais os seus produtos", afirma Costa.
Para Bussab, o desempenho do setor em dezembro do ano passado já mostra desaceleração em relação à média do ano. "Isso indica que, para 2009, a expectativa deve ser de um mercado mais estável. Não deverá haver retração por efeito da crise, mas, sim, estabilização num patamar já elevado comparado com os últimos anos."

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