Por Felipe Schmidt
Não foi somente o Messi que mereceu aplausos hoje no estádio Soccer City, na partida em que a Argentina goleou a Coréia do Sul por 4 a 1. A torcida azul e branca também foi uma atração à parte.
Diferentemente de todas as outras aqui, ela não parece estar em uma platéia de teatro, que faz “ooohh” quando uma jogada mais ou menos interessante acontece. Também não comemora o gol apenas batendo palmas, como se ainda estivéssemos nos anos 50.
Los hinchas jogam junto com o time. Empurram os jogadores para frente, cobram empenho e, claro, provocam os rivais – especialmente o Brasil – com algumas rimas impublicáveis. Nesta partida, se tivessem jogado o clássico papel picado quando os times entraram em campo, eu ia achar que estava em Buenos Aires. Veja a foto abaixo, logo após o apito final.

Sou desses que acreditam que o futebol não é só técnica e tática. Tem algo a mais que os especialistas não conseguem definir. Às vezes, torcida e time ficam em tal sintonia que fica impossível saber onde começa um e outro. Juro que acredito nessa metáfora – embora saiba que esse casamento não seja necessariamente sinônimo de vitórias. Mas que ajuda, ajuda.
Na arquibancada do jogo do Brasil aqui, quando a “plateia de teatro” resolve cantar, vem com o “sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Depois piora. É “Cabeleira do Zezé”, “Aláláôôô, mas que calooor” e outras tantas.
Na boa, não acho que os jogadores se sintam motivados ouvindo marchinhas de carnaval. Vejam a empolgação da estreia da seleção.

Então, por mais que, no Brasil, o perfil do torcedor de seleção e de time sejam claramente diferentes, acho que existe uma boa oportunidade aí. Por que uma marca não começa um movimento para preencher esse vácuo e criar algumas melodias para nossa torcida?
Se emplacar, vai pintar e bordar na Copa de 2014. Com os direitos autorais debaixo do braço, vai fazer a festa sozinha.
Tempo para tentar, tem.