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I Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário

Apresentação

O comércio justo e solidário envolve a produção sustentável de mercadorias, criadas por grupos de produtores à margem do sistema tradicional de comércio. É uma prática que vem crescendo constantemente no mundo, apesar de pouco conhecida no Brasil. Surgido na década de 60 para proporcionar oportunidades de desenvolvimento econômico, social e político a esses grupos, a prática hoje reúne cerca de um milhão de produtores de vários setores em mais de 50 países, principalmente na Europa, como a França.

O Sebrae/RJ (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) criou uma metodologia para difundir a prática em alguns grupos produtivos por acreditar que o comércio justo é uma tendência e um importante caminho a ser seguido por pequenos empreendedores. O projeto tornou-se modelo para o Sistema Sebrae em todo o país e passou a ser implantado em outros estados.

E assim, com o objetivo de proporcionar, pela primeira vez, aos grupos produtivos nacionais a oportunidade de fechar negócios com compradores brasileiros e estrangeiros, o Sebrae/RJ promoveu nos dias 19 e 20 de agosto de 2008 o "I Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário", no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. No evento gratuito foram realizados painéis e palestras com especialistas nacionais e internacionais do setor que, além de debater os rumos e o crescimento desta prática no Brasil e no mundo, aproximou produtores e parceiros que puderam abrir novas frentes de negócios.

Cenário

A expectativa do Sebrae/RJ era alta para o evento. Isso porque o "I Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário" seria o primeiro encontro de negócios de comércio justo e solidário promovido pelo Sistema Sebrae no país. A iniciativa da instituição foi grandiosa e inovadora ao proporcionar o debate sobre o tema desconhecido da sociedade e reunir cerca de 100 grupos de produtores de 10 estados brasileiros, além de renomados palestrantes estrangeiros.
No entanto, o assunto era domínio apenas dos segmentos envolvidos nesta prática, como as redes de pequenos produtores da economia solidária, ONGs e organizações públicas e privadas de fomento e apoio a iniciativas produtivas, como o próprio Sebrae.

Principais desafios de Comunicação

Desafio 1
Tornar o assunto conhecido da sociedade. O comércio justo e solidário é um conceito de parceria comercial, que estabelece um contato direto entre o comprador e o produtor, eliminando o mau intermediário, que contribui para o desenvolvimento sustentável, e que ainda por cima movimenta US$ 2,3 bilhões no mundo.

O importante era estimular o público a participar do evento, atraindo a atenção de diversos segmentos sociais, como imprensa, formadores de opinião, empresários - que poderiam futuramente passar a praticar o comércio justo -, produtores artesanais, representantes de governos, a fim de proporcionar um ambiente de negócios favorável aos grupos participantes.

Desafio 2
Com a ausência de investimentos em publicidade, a divulgação deveria ser concentrada na mídia espontânea. Assim, a imprensa tornou-se o principal canal de comunicação. Considerando que somente os jornalistas especializados em assuntos ligados à sustentabilidade e terceiro setor, tinham conhecimento sobre o tema, a abordagem com a imprensa em geral exigiu um trabalho específico para apresentação do evento e do próprio conceito de comércio justo.

Isso quer dizer que mais do que meramente divulgar um evento era preciso ir além. Era preciso um diferencial capaz de sensibilizar os jornalistas a conhecer algo novo que despertasse um olhar diferenciado sobre comércio justo e solidário. Até porque o período do trabalho coincidiu com os Jogos Olímpicos de Pequim 2008, momento em que a imprensa dedica amplo espaço à cobertura esportiva.

Desafio 3:
Despertar o interesse do maior número possível de grupos de produtores de comércio justo de todo o país para dar relevância nacional ao evento e, ao mesmo tempo, atrair a atenção de palestrantes internacionais para contribuir positivamente com a imagem do evento.

Estratégia

Diante do ineditismo e grandiosidade do evento, o Sebrae/RJ buscou ações de comunicação para incentivar a adesão dos grupos participantes com o apoio do Sebrae Nacional e das demais unidades do Sebrae no país. As equipes se empenharam em sensibilizar os principais produtores praticantes de comércio justo. A ideia era reunir o maior número possível de grupos para que eles, distribuídos em estandes, pudessem apresentar seus artigos, desde produtos agrícolas a artesanato, como bolsas de fibra de bananeira e camisetas em algodão ecológico, entre outros.

O Sebrae/RJ também mobilizou representantes de instituições nacionais e internacionais ligadas ao desenvolvimento social por meio do comércio justo, Na ocasião, estiveram presentes representantes do Sebrae Nacional e de suas unidades do Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo; do IFAT - a Associação Internacional de Comercio Justo; do Senaes - Secretaria Nacional de Economia Solidária; e da ONG Onda Solidária; Fair Trade Organization, organização não-governamental que atua em 70 países, incluindo América Latina, América do Norte, Europa, Ásia, África, sendo considerada a principal instituição mundial sobre o tema. Essas entidades trabalham em parceria com o Sebrae no fomento desta prática e contribuíram na organização do evento.

A imprensa seria uma das principais ferramentas de mobilização social, já que não havia campanha de mídia paga. Portanto, a cobertura jornalística não deveria se restringir às editorias ligadas à sustentabilidade ou terceiro setor. Assim, era fundamental mostrar a dimensão e relevância do evento para que o Sebrae/RJ pudesse transmitir corretamente o conceito do comércio justo aos jornalistas que, por sua vez, despertariam o interesse do público em reportagens.

Ações

Foi definido um cronograma das ações desde a fase prévia até o término do evento, incluindo escolha dos participantes, palestrantes, captação de recursos, contratação e treinamento de pessoal. Ao definir o roteiro do evento, o Sebrae/RJ formalizava o convite para depois apresentar conceitualmente o evento aos participantes e explicar os detalhes de procedimentos e operação. Para facilitar o atendimento com todos os envolvidos, a área de Acesso a Mercados do Sebrae/RJ contou com as demais unidades do Sistema Sebrae no país, que formaram uma força-tarefa. E para que o evento se tornasse uma referência, o Sebrae/RJ mobilizou uma equipe de profissionais de várias áreas: marketing, jurídico, compras, comunicação e imprensa, financeiro.

O passo seguinte era traçar a operação local. Tudo foi pensado para transmitir o conceito do evento. Até mesmo a decoração mereceu atenção especial. Os estandes foram construídos com bambu - material de fácil de decomposição na natureza, já que um dos princípios do comércio justo é a preservação da saúde e do meio ambiente - e o cardápio incluiu produtos orgânicos produzidos por alguns grupos que atuam dentro dos princípios do comércio justo.


Em dois dias de evento, a programação incluiu palestras e debates sobre a importância do comércio justo, as experiências no Brasil e no mundo. E coube a jornalistas especializados a função de moradores dos debates, como Amélia González, editora do suplemento Razão Social, especializado em sustentabilidade, do jornal O Globo; Sônia Araripe, editora da Revisa Plurale; e Leda Nagle, apresentadora do programa Sem Censura, da TVE.

Para reforçar o conceito do evento, aumentar a visibilidade, mobilizar os grupos e despertar o interesse da população, o Sebrae/RJ criou algumas outras ações:

Site - O site do Sebrae/RJ foi uma importante ferramenta democrática que reuniu informações atualizadas com notícias e fotos, onde também era possível se inscrever no evento.

Cobertura da Imprensa - O Sebrae/RJ contratou a Textual Serviços de Comunicação para desenvolver em parceria a estratégia de comunicação. Isso porque a realização pelo Sebrae/RJ do 1º Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário seria um ótimo gancho para se provocar a cobertura do tema na imprensa, impactando formadores de opinião e a própria opinião pública, além de contribuir para aumentar o nível de conhecimento da própria imprensa. O evento constituiu-se também numa excelente oportunidade para o Sebrae/RJ se fortalecer como uma das principais fontes de referência sobre o comércio solidário no Brasil, reforçando os seus grandes benefícios, especialmente para o segmento dos pequenos produtores.

E, por meio da Textual, foram realizadas visitas às principais redações localizadas no Rio de Janeiro (sedes e sucursais de jornais, revistas, emissoras de TV e de rádio de notícias e agências de notícias internacionais) para entrega a editores, chefes de reportagem e colunistas de press kit especial contendo informações sobre o conceito e dados do comércio justo no Brasil, com produtos expostos no evento. Além disso, também foi incluído um DVD com programas de uma série especial sobre comércio justo que o Canal Futura produziu em parceria com o Sebrae. Assim, o objetivo foi atrair a atenção de editores, chefes de reportagem e colunistas para sensibilizar sobre o tema e estimular o interesse pela cobertura do evento. Os materiais de imprensa também apresentaram exemplos concretos de como o comércio justo e solidário vem transformando a vida de grupos produtores, como as costureiras de uma confecção de Petrópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, que estão exportando suas roupas de algodão ecológico e malha de PET para a Europa. Antes de se organizarem e atuarem dentro dos princípios de comércio justo e solidário, as profissionais recebiam entre R$ 0,50 a R$ 0,80 por camiseta costurada, pois era o preço pago pelos intermediários. Dentro do comércio justo e solidário, elas puderam cobrar, sem qualquer intermediação, o valor de R$ 1,50 por peça, exportando direto para a França com apoio da ONG Onda Solidária.

Oficinas - Como mais um atrativo para a imprensa, com o objetivo de gerar boas fotos e imagens para TV, alguns produtores exibiram para o público, durante o evento, suas técnicas de produção. Foi o caso de um grupo de produtoras do Rio de Janeiro que mostrou como extraem fibra de bananeira para a confecção de bolsas e outros artigos.

Rodada de Negócios - O Sebrae/RJ também promoveu uma rodada de negócios durante o evento, realizando reuniões entre compradores de comércio justo de vários países, como Holanda, Canadá e Estados Unidos, e grupos produtores brasileiros, o que gerou uma série de negócios durante e depois do evento.

Resultados
Mais de mil pessoas compareceram ao "I Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário". Foi uma grande experiência para os grupos participantes que puderam estreitar as relações comerciais e conhecer outros exemplos de comércio justo praticado no mundo. O Sebrae/RJ estimou que o evento gerou negócios da ordem de R$ 1,2 milhão em um período de seis meses. Com o evento, vários grupos tiveram a oportunidade de fechar negócios com compradores estrangeiros. Um grupo da localidade de Urucará, no Amazonas, que comercializa guaraná natural, por exemplo, fechou a venda de seis toneladas do produto para o Canadá. Outro, do Mato Grosso do Sul, que produz biojóias, acertou, durante o evento, a venda de produtos para a Holanda.

Depois de visitar o evento, a Megamatte decidiu adotar esses princípios e tornar-se a primeira rede de franquias do país a atuar com comércio justo. A rede fechou uma parceria com o Sebrae/RJ para fazer um diagnóstico e capacitar seus fornecedores, como produtores de chá mate e de laticínios, para que passem a atuar também de acordo com esse sistema. O projeto incluirá não só a certificação dos produtos consumidos nas 50 unidades da rede, mas também a certificação internacional das lojas.

Para Tiago Dalvi, da Solidarium, do Paraná, o evento abriu as portas para novos negócios na Europa. A empresa comercializa produtos de artesãos que, entre outras atividades, aproveitam retalhos de uma fábrica de estofados para confecção de artesanato. "Com o evento, o movimento do comércio justo é fortalecido e podemos conhecer novos compradores". A iniciativa paranaense despertou o interesse do empreendedor francês Frederic Bailly, da empresa La Compagnie du Commerce Equitable, que importa artigos para comercializá-los em 40 países. "Gostei muito dos produtos e vamos avaliar a aceitação no mercado europeu".

"Foi uma grande experiência para estes grupos que puderam estreitar as relações comerciais e conhecer outros exemplos de comércio justo praticado no mundo", avaliou Sergio Malta, diretor-superintendente do Sebrae/RJ.

Sem contar que a cobertura da imprensa em emissoras de televisão e de rádio, jornais, revistas e suplementos especializados estamparam o conceito do comércio justo, com depoimentos de especialistas e produtores. Vale destacar a cobertura do Cidades e Soluções, da Globonews, que exibiu um programa inteiro mostrando todo o ciclo de produção de uma confecção de camisetas, desde a produção do algodão em uma fazenda no sul do país, passando pela confecção das costureiras de Petrópolis até chegar à França, onde elas são vendidas pela grife Tudo Bom, especializada em artigos produzidos com base no comércio justo.

O "I Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário" mostrou que é possível, através de uma nova mentalidade, melhorar a relação com os compradores, aumentar a produção e garantir uma remuneração justa a profissionais.

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